17/12/2025 OSR

Nos dias 30 de agosto e 25 de setembro foram realizadas, respectivamente, as reuniões dos Grupos de Trabalho (GT’s) Regional, que abrange as cidades de Aracaju e Barra dos Coqueiros, e de Pirambu. Com o objetivo de dar continuidade às discussões iniciadas nas oficinas de Licenciamento Ambiental e Orçamento Público, realizadas nos meses de abril e julho, esses encontros também se debruçaram sobre os Relatórios de Impactos Ambientais (RIMA) do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), buscando garantir uma compreensão mais ampla das comunidades acerca do que foi considerado nesses documentos.

As tardes desses sábados foram dedicadas à análise minuciosa dos relatórios por parte dos comunitários, com o apoio da equipe técnica, a fim de compreender cada impacto relatado e as medidas propostas para mitigá-los, identificando,  a partir do olhar de quem vive no território, se tais ações são de fato eficazes. Apesar de o trabalho envolver três cidades distintas, as observações e questionamentos acerca das inconsistências presentes nos documentos são muito semelhantes. A ausência de comunidades que serão afetadas nos mapas que indicam a área de abrangência do SEAP também é uma das principais críticas dos moradores dos três municípios. 

Os documentos resultantes dos estudos devem ser distribuídos nas comunidades para que os moradores estejam cientes do que está sendo considerado a partir de seus territórios e de que maneira serão afetados, possibilitando que consigam se posicionar. Em muitas situações, nem sequer são ouvidos, como lembra Robério Manoel, da Comunidade Quilombola Pontal da Barra, a única que recebeu uma reunião com os órgãos responsáveis acerca do SEAP: “Eles disseram: olha, nós não vamos te enganar, se vocês aceitarem o estudo, o gás vai passar; e se vocês não aceitarem, ele vai passar do mesmo jeito.” 

Essas análises partem, ainda, de um contexto delicado, no qual muitas dessas comunidades já possuem experiências anteriores com a empresa responsável pela exploração. Em diversos casos, as medidas compensatórias prometidas não foram efetivadas, o que gera desconfiança e reforça a necessidade de acompanhamento e fiscalização social permanentes. Como cita Zuleide Batista, pescadora da comunidade de Aguilhadas, em Pirambu: “Essas compensações não chegam ao pescador, não chegam a quem realmente precisa.” 

Assim, os GT’s seguem se fortalecendo enquanto espaços de articulação coletiva, mobilização política, na busca por uma participação cada vez mais efetiva nos processos decisórios que impactam diretamente seus territórios.