13/03/2021 Equipe OSR

Com o objetivo de dá continuidade as discursões e encaminhamentos internos tanto na equipe quanto no GT-OSR Regional durante esse período de Pandemia estamos construindo um informativo temos como foco divulgar o que está acontecendo na área de abrangência do projeto do OSR através uma série de entrevistas e coleta de relatos de moradores e membros que fazem parte do Grupo de Trabalho (GT) do Observatório Social dos Royalties (OSR), a entrevistada dessa vez foi realizada com moradores da Comunidade do Jatobá no Município de Barra dos Coqueiros. Eles nos contam como é o dia a dia na comunidade e falam das dificuldades enfrentadas. As entrevistas foram feitas entre os dias 24 e 30 de novembro de 2020 e 23 e 25 de janeiro de 2021.

Quais os principais problemas em relação ao saneamento básico na comunidade?

 

 

[Entrevistado 01]

O esgoto infelizmente tá tapado ainda né, alguns não tem esgoto outros já tem né. Mais não foi a DESO que fez, foi à gente que fez por conta própria porque a gente não vai viver a vida inteira com esgoto escorrendo pra rua nem prejudicando os outros. E agora sem contar que vai abrir o esgoto né daqui da rua do loteamento George Batista e a água vai corre pra o terreno da Vale.

 

[Entrevistado 01]

Outra coisa eu boto em pauta porque eles deveria ter feito a estrada, não fizeram vou botar em pauta mesmo eu tô me colocando a que eles não fizeram terraplanagem na obra, fizeram de qualquer jeito, tem lugares que já tão estourando, tem outros que as casas ficou baixa umas outras alta. Eles fizeram de qualquer jeito, tem calçamento aqui se vierem verificar já tem calçamento quebrado e é isso se colocasse pelo menos umas borra de asfalto seria melhor, porque aqui tá ficando ruim daqui a uns dias não vai ter mais calçamento não e eles não fizeram as bocas de lobo tudinho mais não fizeram as caixas pra onde vai correr essa água né tem que ter.

 

Sobre o asfalto da comunidade esses destacam que

 

 

Do que fizeram já tão quebrando as estradas todas, malfeito quando passa carro pesado (carretas) ai então. O asfalto não suporta e quebra. E a gente fica sem saber como fazer né.

 

Abaixo imagens

 

 

 

Sobre o envenenamento industrial o que está acontecendo?

O que tá acontecendo aqui é o Coque que tá demais né... Depois que eles mataram uma parte dos cajueiros da comunidade piorou bastante, demais, e quanto mais cortam as árvores mais a gente fica sem proteção e o coque ele fica mais forte né...

Abaixo imagem

 

 

Sobre os efeitos da poluição essa destaca que

 

 

[Entrevistado 01]

As crianças ficam sufocadas, teve gente aqui que já foi prejudicada nos pulmões, tem alergia. Eu mesmo tenho uns netos que não convivem comigo mais quando tão aqui passam mal. Eu tenho um filho agora que ele sofre de alergia né... E um dos filhos dele (meu neto) é alérgico. Outras pessoas têm situações piores muitas crianças, idosos e um sofrimento só muito grande com esse coque[1] porque eles molham mais não dá pra suportar, é um galpão enorme.

Segundo estudo intitulado substâncias químicas perigosas à saúde e ao ambiente do Programa Internacional de Segurança Química (PISQ) vinculado a Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2000. O Coque foi associado ao aumento de risco de câncer de pulmão também está presente num grande número de fatores de risco à saúde ocupacional dos trabalhadores. A exposição ocorre pelo contato com a pele e pela inalação de gases e vapores, sobretudo de hidrocarbonetos, que estão naturalmente presentes no petróleo bruto e também podem ser emitidos durante o processo de refino, ou são formados e emitidos durante o processo.

Compostos gasosos sulfurados, como sulfeto de hidrogênio, dióxido de enxofre e mercaptanas, são emitidos durante os processos de remoção e tratamento de enxofre. A exposição à poeira e fumos se dá quase sempre nas operações de manutenção como limpeza com jato abrasivo, uso de catalisadores e o manuseio de produtos viscosos e sólidos, como betume e coque.

[Entrevistado 02]

Eu já tive até lá olhando esse tipo de galpão, quando a gente teve aquela visita lá no porto, eu vi aquele galpão e é muito é muito coque né... E quando tem o trigo né tem aquelas palhas que voa um pó e isso ai prejudica muito a saúde da população.

 

Outros impactos são:

 

[Entrevistado 01]

O Coque tem dias que você nem vê a cor da sua mão nem do pé quanto mais o nosso pulmão. Quando a gente limpa os móveis e passa um pano branco, por exemplo, imagine o nosso nariz quando a gente passa o cotonete.

Isso é todo dia, a gente limpa a casa de manhã quando é de tarde tá suja desse jeito, os nossos pés nem se fala, parece que a gente tá usando bota debaixo. Mal dá pra vê os pés, no chão fica preto. É muito preto, né, aliás, é tudo aqui no Jatobá.

 

Abaixo segue as imagens,

 

 

E sobre o acesso a água quais são os principais problemas?

 

[Entrevistado 01]

A Termoelétrica continua a mesma coisa não conseguimos dormir porque tem momento que o barulho é insuportável não tem nada de diferente, agora já vem uma refinaria, lá pro Cajueiro II estamos ficando cercados e nada resolve. Sem contar que a maioria das vezes a água vai para a termoelétrica. Eles fizeram uma encanação que praticamente rouba a água toda da comunidade pra lá a gente fica sem água, só pra sustentar essa coisa esse monstro.

 

Sobre a qualidade da água ela relata

 

[Entrevistado 01]

A água é salgada, meio salobra (escura) em alguns dias aparece cheia de barro, e a gente não bebe, aliás, ninguém aqui. A gente é obrigada a comprar água mineral.

[Entrevistado 02]

Aqui em casa mesmo são 6 pessoas com meus netos e um galão de água mineral dura de 3 a 4 dias as vezes, e aonde a gente vai parar pagando por água. Nós pagamos a água e não temos qualidade e se deixar de pagar eles vem e corta, estamos sofrendo muito aqui no Jatobá.

Quando a coisa tá ruim mesmo a gente conta com a ajuda do pessoal dos Cajueiros I (sem-terra) porque nem todos os dias a gente tem 6 reais pra comprar um galão de água.

 

Qual é a solução?

 

[Entrevistado 01]

A gente precisa de solução eu nunca vi um lugar onde praticamente todo o dinheiro que sai pra prefeitura de Barra dos Coqueiros é dá comunidade do povoado Jatobá. E eu não sei como é que esses políticos se sentem. As pessoas são tão acomodadas com as coisas aqui. O povo se acomoda com tudo, não corre atrás às vezes a gente apresenta um documento pra assinar tem umas pessoas que assinam outras não assinam. Então quer dizer que fica na mesma situação eu já estou cansada disso.

 

[Entrevistado 02]

Aliás, eu não sei o que é que eles (políticos e empresas) fazem, porque eu nunca os vi esses grandões. Aliás, eu não vejo